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Orientação ao paciente

Pterígio

A tal “carne crescendo no olho”, tão comum em quem vive sob o sol do Nordeste. Entenda quando ela é só incômoda, quando merece cirurgia e como evitar que volte.

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O que é o pterígio

O pterígio é um crescimento de tecido da conjuntiva — a membrana transparente que cobre a parte branca do olho — em direção à córnea, a janela transparente na frente da pupila. Ele costuma nascer no canto interno, do lado do nariz, e avançar lentamente em forma de triângulo ou de asa. Aliás, é daí que vem o nome: pterygion, em grego, quer dizer pequena asa.

Não é um tumor e não é câncer. É um tecido fibroso e vascularizado, resposta do olho a anos de agressão pelo ambiente. Como tem vasos, fica avermelhado quando irrita — e é por isso que o paciente costuma descrever como "uma carne crescendo no olho".

Não confunda com a pinguécula

A pinguécula é uma elevação amarelada na parte branca do olho, também ligada ao sol, mas que não invade a córnea. Ela raramente precisa de cirurgia e costuma pedir apenas lubrificação e proteção. O pterígio é o que cresce por cima da córnea — e é essa invasão que muda o prognóstico.

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Por que aparece — e por que aqui é tão comum

O fator central é a radiação ultravioleta. Quem passa anos exposto ao sol tem muito mais pterígio, e a frequência sobe conforme se aproxima da linha do Equador. Recife está a menos de nove graus dela: aqui, a exposição diária é maior do que na maior parte do país, e o pterígio aparece com força no consultório.

Somam-se ao sol:

  • Vento, poeira e ar seco — trabalho ao ar livre, praia, construção civil, agricultura, moto
  • Olho seco crônico, que deixa a superfície mais vulnerável à agressão
  • Idade e sexo: mais frequente em adultos a partir dos 30 e um pouco mais em homens, provavelmente pelo tipo de exposição ocupacional
  • Predisposição familiar
O que a maioria não sabe

O dano do sol sobre o olho é acumulativo e começa na infância. Boa parte da exposição que gera o pterígio de um adulto de 40 anos aconteceu antes dos 20. Por isso óculos de sol em criança não é frescura — é prevenção com décadas de antecedência.

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Quando incomoda e quando preocupa

Muito pterígio é assintomático por anos e só chama atenção pela aparência. Quando dá sintoma, costuma ser:

  • Vermelhidão que vai e volta, pior em dias de sol, vento ou poeira
  • Sensação de corpo estranho, areia ou ardência
  • Ressecamento, porque o relevo do pterígio atrapalha o espalhamento da lágrima
  • Incômodo estético, que para muita gente é a queixa principal — e é uma queixa legítima

A parte que de fato preocupa é o efeito sobre a visão, e ela acontece de duas formas:

Sinais de que já está mexendo com a visão
  • Astigmatismo novo ou que aumenta. Ao puxar a córnea, o pterígio deforma sua curvatura e distorce a imagem — muitas vezes antes de chegar perto da pupila
  • Avanço em direção ao centro. Se ele alcançar o eixo da pupila, passa a bloquear a luz diretamente
  • Piora do grau de óculos sem outra explicação, ou visão que os óculos já não corrigem bem
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Como eu avalio na consulta

O pterígio se vê a olho nu, mas o que importa não é vê-lo — é medi-lo. Na consulta eu registro:

  • Quanto ele já invadiu a córnea, em milímetros, a partir do limite entre a parte branca e a transparente. É esse número, comparado ao longo do tempo, que diz se ele está parado ou avançando
  • Se está inflamado ou quieto — um pterígio muito vascularizado e ativo se comporta diferente de um pterígio branco e fibroso
  • O efeito sobre a curvatura da córnea, pela topografia, que quantifica o astigmatismo induzido. Muitas vezes é isso que decide a indicação, antes de o pterígio chegar perto da pupila
  • A condição da superfície ocular, porque olho seco associado é regra, e tratá-lo alivia boa parte do que incomoda
Por que registro em foto

A memória engana com coisas que crescem devagar. Uma foto na primeira consulta e outra um ano depois respondem em segundos a pergunta que mais importa: está crescendo?

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O tratamento e quem conduz

Quem conduz cada etapa

Meu papel no pterígio é a consulta inicial: examinar, medir o avanço sobre a córnea, avaliar o astigmatismo induzido e tratar a superfície ocular. Quando há indicação cirúrgica, encaminho você ao setor de córnea e segmento anterior do IOR, que conduz a cirurgia e o pós-operatório — no mesmo prédio e com os seus exames em mãos.

Enquanto não se opera

Nem todo pterígio precisa de cirurgia, e a maioria não precisa agora. O manejo clínico costuma dar conta do incômodo:

  • Lubrificantes de uso regular, que reduzem muito a ardência e a vermelhidão
  • Proteção solar de verdade — óculos escuros com proteção ultravioleta comprovada, de preferência envolventes, e boné ou chapéu de aba
  • Anti-inflamatório em colírio, em cursos curtos, nas crises de inflamação

Quando a cirurgia entra

A indicação aparece quando o pterígio ameaça ou já compromete a visão, quando inflama repetidamente apesar do tratamento, ou quando o incômodo estético pesa para o paciente. A cirurgia consiste em remover o tecido e cobrir a área com um enxerto da própria conjuntiva do paciente, retirado de baixo da pálpebra superior.

A pergunta que todo mundo faz: volta?

Pode voltar — e é exatamente por isso que a técnica importa. A remoção simples, sem enxerto, tem índice de recidiva alto. Com o transplante de conjuntiva do próprio paciente, esse índice cai muito. E depois da cirurgia a proteção solar deixa de ser conselho e vira parte do tratamento: a recidiva costuma vir de quem voltou ao sol sem proteção.

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Resumo rápido

Ligado ao sol Não é câncer Nem todo caso opera Proteção evita recidiva

O pterígio é a resposta do olho a anos de sol, vento e poeira, e por isso é tão comum em Recife. Não é câncer e, na maior parte dos casos, convive-se bem com ele usando lubrificante e proteção solar. A cirurgia entra quando ele avança sobre a córnea, induz astigmatismo, inflama de forma repetida ou incomoda esteticamente — e é conduzida pelo setor de córnea do IOR. O que decide não é a aparência num dia, e sim a comparação ao longo do tempo: por isso vale a primeira consulta mesmo quando ele parece pequeno.

Ficou com dúvida?

Se você tem uma "carne no olho" que cresceu, que vermelha com frequência ou que já mexeu no seu grau, vale medir. Uma avaliação define se é caso de acompanhar ou de operar.

Está crescendo? Vale medir, não vale esperar

A decisão de operar depende de quanto o pterígio avançou sobre a córnea — e isso se mede na consulta.

Dr. Durval Valença Filho · Retina e Vítreo · Catarata · Refrativa · CRM 10522 PE · RQE 9401
IOR — Instituto de Olhos do Recife · Rua Vigário Barreto, 50, Graças, Recife — PE

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