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Orientação ao paciente

Glaucoma

É a principal causa de cegueira irreversível no mundo — e quase sempre não dói, não incomoda e não avisa. Entenda por que o exame vale mais que o sintoma.

01

O que é o glaucoma

O glaucoma é uma doença do nervo óptico — o cabo que leva a imagem do olho até o cérebro. Esse nervo é feito de mais de um milhão de fibras, e no glaucoma elas vão sendo perdidas, aos poucos, sem repor.

O principal fator envolvido é a pressão dentro do olho. O olho produz um líquido continuamente e o escoa por um sistema de drenagem. Quando esse escoamento não dá conta, a pressão sobe e comprime o nervo. Mas atenção a um ponto que confunde muita gente: pressão alta não é o mesmo que glaucoma, e existe glaucoma com pressão dentro do normal.

Em uma frase

Glaucoma não é "pressão alta no olho": é a lesão do nervo óptico, que na maioria das vezes tem a pressão como causa — e que, uma vez instalada, não volta atrás.

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Por que ele passa despercebido

Esta é a parte que mais assusta, e é preciso dizer com clareza: no tipo mais comum, o glaucoma não dói, não embaça e não deixa o olho vermelho.

A perda começa pela periferia do campo de visão, não pelo centro. E o cérebro é muito bom em preencher buracos: ele completa a imagem que falta com o que o outro olho vê e com o que ele espera encontrar ali. O resultado é que a pessoa segue lendo, dirigindo e reconhecendo rostos com o campo de visão já bastante reduzido.

Quando a queixa finalmente aparece — esbarrar em batentes, não ver o degrau, perder o carro que vinha pela lateral —, boa parte das fibras do nervo já se foi. E o que se perdeu não volta.

A exceção que é emergência

Existe uma forma aguda, bem menos comum, em que a drenagem fecha de uma vez. Aí os sintomas são fortes e súbitos:

  • Dor intensa no olho e na cabeça, de um lado só
  • Visão embaçada com halos coloridos em volta das luzes
  • Olho vermelho e duro
  • Náusea e vômito — que fazem muita gente procurar o clínico, e não o oftalmologista

Isso é emergência oftalmológica e precisa de atendimento nas próximas horas, não no dia seguinte.

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Quem deveria examinar mesmo enxergando bem

Como o sintoma não é confiável, o que sobra é o risco. Vale marcar um exame, ainda que a visão esteja ótima, se você:

  • Tem mais de 40 anos — a partir daí a frequência de glaucoma sobe de forma consistente
  • Tem caso na família, sobretudo pai, mãe ou irmão. Esse é o fator isolado mais importante
  • É negro ou pardo — o glaucoma começa mais cedo e costuma ser mais agressivo nessas populações
  • Já ouviu de algum médico que tem a pressão do olho alta, mesmo sem diagnóstico fechado
  • Tem diabetes, miopia alta, ou usa ou usou corticoide por tempo prolongado, em colírio, comprimido, injeção ou pomada
  • Já teve trauma no olho, mesmo há muitos anos
Sobre a história familiar

Se você tem glaucoma na família, avise seus irmãos e filhos. É a informação mais útil que você pode dar a eles — e é gratuita.

04

Como eu avalio na consulta

A consulta inicial responde a duas perguntas: há sinal de glaucoma? e qual o seu risco de vir a ter? Para isso eu combino:

  • Medida da pressão intraocular (tonometria). Rápida e indolor. Um valor isolado diz pouco — o que informa é o conjunto
  • Exame do nervo óptico, com a pupila dilatada. É aqui que o glaucoma se revela: o nervo lesado tem uma escavação característica, e muitas vezes ela aparece antes de qualquer perda de campo
  • Avaliação da córnea e do ângulo de drenagem, que ajudam a interpretar a pressão medida e a saber se o risco é da forma crônica ou da aguda

Conforme o que eu encontro, dois exames costumam entrar para fechar o quadro: o campo visual, que mapeia o que você deixou de enxergar sem perceber, e a OCT do nervo óptico, que mede a espessura das fibras nervosas e detecta perda antes do campo visual acusar.

Traga seus exames

No glaucoma, a comparação vale mais que o retrato: um campo visual isolado mostra hoje, dois campos ao longo do tempo mostram se está progredindo. Traga sempre os exames antigos, mesmo os feitos em outro serviço.

05

O tratamento e quem conduz

Quem conduz cada etapa

Meu papel no glaucoma é o da consulta inicial: examinar, medir a pressão, avaliar o nervo óptico e pedir os exames que fecham o diagnóstico. Confirmado o glaucoma, encaminho você ao setor de glaucoma do IOR, que conduz o tratamento e o acompanhamento. É no mesmo prédio, com os seus exames em mãos — você não recomeça a investigação do zero em outro serviço.

Sobre o tratamento em si, vale você já saber o essencial. O objetivo é baixar a pressão do olho o suficiente para que o nervo pare de perder fibras. Não se trata de recuperar o que já foi perdido — trata-se de proteger o que ainda existe. Os caminhos são três, e frequentemente combinados:

  • Colírios. É o começo na maioria dos casos. Reduzem a produção do líquido ou melhoram a drenagem. Costumam ser de uso contínuo, muitas vezes para o resto da vida
  • Laser. Procedimento ambulatorial que melhora o escoamento. Em alguns casos é usado já no início, em outros quando o colírio não basta
  • Cirurgia. Cria um novo caminho de drenagem para o líquido. É indicada quando a pressão não cede com colírio e laser, ou quando a doença segue progredindo apesar deles
O erro mais comum

Parar o colírio porque "está enxergando bem". O colírio do glaucoma não melhora a visão — ele impede a piora. Como a doença não dá sintoma, o paciente que abandona o tratamento só descobre o erro quando a perda já aconteceu.

06

Resumo rápido

Não dói, não avisa A perda é definitiva Exame a partir dos 40 História familiar pesa

O glaucoma lesiona o nervo óptico em silêncio, começando pelas bordas do campo de visão, e o que se perde não volta. Por isso ele não é encontrado por quem sente algo, e sim por quem examina. A partir dos 40 anos, ou antes se há caso na família, uma consulta com medida de pressão e exame do nervo já responde muita coisa. Diagnóstico feito, o tratamento é conduzido pelo setor de glaucoma do IOR — e ele funciona: a imensa maioria das pessoas tratadas a tempo enxerga bem pelo resto da vida.

Ficou com dúvida?

Se você tem caso na família, passou dos 40 ou já ouviu falar em pressão alta no olho, vale marcar uma avaliação. É um exame simples, e no glaucoma o cedo faz toda a diferença.

Quando foi seu último exame de pressão ocular?

No glaucoma, a consulta não serve para tratar um sintoma — serve para encontrar o que ainda não deu sintoma nenhum.

Dr. Durval Valença Filho · Retina e Vítreo · Catarata · Refrativa · CRM 10522 PE · RQE 9401
IOR — Instituto de Olhos do Recife · Rua Vigário Barreto, 50, Graças, Recife — PE

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